Alcolumbre ‘não acha nada’ sobre Moraes e Vorcaro e diz ser ‘anormal’ 109 pedidos de impeachment
Presidente do Senado afirmou que não caberia a ele avaliar mensagens sobre a relação do ministro do STF e o banqueiro preso por crimes
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou, nesta quarta-feira (2), que não caberia a ele avaliar os detalhes do relatório da Polícia Federal que ampliam escandalosa relação entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso por crimes na maior fraude financeira da história do Brasil. Alcolumbre disse que “não achou nada” sobre o caso, mas fez questão de considerar anormal haver 109 pedidos de impeachment contra ministros do STF.
“Eu não achei nada, não tenho que achar nada”, disse o senador cercado pelos questionamentos da imprensa, por ser responsável por engavetar ou dar andamento à tramitação dos processos que atribuem a ministros do Supremo diversos crimes que, em tese, deveriam resultar na perda de seus cargos após votação no Plenário do Senado.
Alcolumbre admitiu que as demandas pela cassação de ministros tramitam há muito tempo, ao dar as seguintes declarações, quando questionado se finalmente tomaria a decisão de iniciar a tramitação de algum dos pedidos, no Congresso Nacional.
“A decisão é que tem 109 pedidos. A minha percepção é que tem 109 pedidos. Isso não é normal. 109 solicitações no Congresso, dos dez ministros do Supremo, de pedido de impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal”, concluiu o presidente do Senado e do Congresso.
A revelação de novos detalhes sobre contratos e repasses milionários de Vorcaro para Moraes e sua esposa Viviane Barci de Moraes foi determinada pelo ministro do STF, André Mendonça. E aconteceu quase um mês após Alcolumbre participar de um jantar promovido por Moraes, na casa do ministro, para reatar a relação política e institucional do presidente do Senado com Lula (PT), que concorre à reeleição para a Presidência da República.
Após a articulação de Moraes, Lula e Alcolumbre ajustaram suas pautas de interesse comum, a exemplo dos projetos para o fim da escala 6×1 e da “taxa das blusinhas”, em votação nesta semana.