Damares critica Anvisa após cancelamento de remédio de R$ 20 milhões
Senadora cobra respostas sobre crianças com distrofia de Duchenne que já receberam o Elevidys e sobre pacientes que aguardavam acesso à terapia

O cancelamento do registro do Elevidys, terapia gênica de dose única para distrofia muscular de Duchenne avaliada em R$ 20 milhões, provocou reação no Senado e mobilizou famílias de crianças com a doença. O tema foi discutido nesta quinta-feira (27) na Comissão de Direitos Humanos (CDH).
A Anvisa cancelou o registro do medicamento na segunda-feira (24), a pedido da farmacêutica Roche. A decisão ocorreu três dias antes da audiência pública que já estava marcada para discutir a ampliação do acesso ao tratamento no Brasil.
Presidente da CDH e autora do requerimento da audiência, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) criticou a condução do poder público diante das doenças raras e cobrou respostas sobre o impacto da decisão para os pacientes.
“Ninguém utilize o microfone aqui para dizer que essas crianças são caras. Elas não são caras. Elas são raras”, afirmou a senadora.
A distrofia muscular de Duchenne é uma doença genética grave e progressiva que provoca perda contínua de força e função muscular e atinge principalmente meninos. Para as famílias, o avanço da doença torna o acesso a terapias uma questão de tempo.
O Elevidys possui autorização para uso em países como Estados Unidos e Japão, embora existam divergências entre as autoridades sobre os dados de eficácia a longo prazo.
No Brasil, cerca de 10 crianças haviam recebido o remédio antes do cancelamento.
Durante a audiência, parlamentares questionaram como será feito o acompanhamento dos pacientes e quais são as alternativas para aqueles que aguardavam pelo tratamento.
Damares também defendeu que pacientes que participaram de estudos ou receberam a terapia não sejam abandonados e afirmou que segurança regulatória e acesso ao tratamento não devem ser tratados como questões incompatíveis.
“O objetivo desta audiência não deve ser colocar segurança contra acesso. Nem ciência contra esperança”, disse a senadora.