Bancos perdem R$112 bilhões na Bolsa em meio a temores com o crédito
Itaú, BTG Pactual e mais quatro instituições registraram queda; avanço da inadimplência nas empresas também preocupa

As ações dos seis maiores bancos listados na B3 — Itaú Unibanco, BTG Pactual, Nu Holdings, Bradesco, Itaúsa e Banco do Brasil, somaram uma perda de R$112,5 bilhões em valor de mercado. A queda reflete a preocupação dos investidores com o avanço da inadimplência no país e o impacto dos juros altos sobre o lucro e os dividendos do setor bancário.
Entre as instituições mais afetadas está o Itaú Unibanco, que viu seu valor de mercado recuar de R$478,9 bilhões para R$446,1 bilhões, perda de R$32,7 bilhões. Na sequência aparece o BTG Pactual, com queda de R$ 29,4 bilhões (de R$ 252,6 bilhões para R$ 223,2 bilhões), seguido pela Nu Holdings, que perdeu R$ 15,3 bilhões (de R$ 355,2 bilhões para R$ 339,9 bilhões). Completam a lista o Bradesco, com recuo de R$ 13,7 bilhões (de R$ 180,6 bilhões para R$ 166,9 bilhões), a Itaúsa, com perda de R$ 11,5 bilhões (de R$ 153,4 bilhões para R$ 141,9 bilhões), e o Banco do Brasil, que caiu R$ 9,8 bilhões (de R$ 119,8 bilhões para R$ 110,1 bilhões).
Além disso,o principal fator por trás da desconfiança do mercado é a combinação entre juros altos e aumento da inadimplência, que já aparece nos balanços do setor. Diante da maior dificuldade da população e das empresas em pagar dívidas, os bancos elevaram as provisões para perdas, o que reduz o lucro líquido e, por consequência, o espaço para distribuição de dividendos.
Empresas batem recorde de dívidas
Do lado corporativo, os números também preocupam. De acordo com a Serasa Experian, a inadimplência das empresas atingiu R$232,9 bilhões em dívidas em junho de 2026 — mais que o dobro dos R$110,8 bilhões registrados em janeiro de 2023, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou posse.
Esse cenário afeta diretamente pequenos e médios negócios, que dependem do crédito bancário para financiar capital de giro e manter as operações em dia. Com bancos mais seletivos na concessão de crédito e provisões mais altas, o custo e o acesso ao financiamento tendem a ficar ainda mais restritos para essas empresas nos próximos meses.