Medo nas ruas

Violência muda rotina de 94% das mulheres no Brasil, aponta pesquisa

Levantamento mostra impacto do medo sobre lazer, mobilidade, trabalho e estudos; 78% dizem já ter sofrido algum tipo de violência

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Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Ao menos 94% das mulheres afirmam se sentir inseguras diante da violência, segundo a pesquisa Segurança das mulheres: percepção da sociedade brasileira sobre violência, realizada pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber. O levantamento aponta que o medo altera hábitos, deslocamentos e decisões cotidianas.

Entre as entrevistadas, 78% dizem já ter sofrido algum tipo de violência, principalmente psicológica. Entre os homens, 84% relatam insegurança diante da violência no dia a dia. Nos deslocamentos pela cidade, os percentuais são de 94% entre mulheres e 90% entre homens. A percepção de vulnerabilidade também aparece em diferentes tipos de violência, especialmente doméstica, sexual, psicológica e física. A doméstica é temida por 6 em cada 10 mulheres.

O receio também afeta a circulação. Em bares, festas e baladas, 41% das mulheres afirmam não se sentir seguras. O índice chega a 42% em pontos de ônibus e estações e a 33% dentro do transporte público. Furtos e roubos são os que mais geram preocupação.

Segundo o levantamento, 62% das brasileiras já mudaram hábitos de lazer para evitar riscos, enquanto 58% deixaram de frequentar lugares de que gostavam. Outros 56% optaram por algum meio de transporte em vez de caminhar, mesmo em trajetos curtos.

A insegurança também interfere em decisões profissionais e acadêmicas. 45% por cento afirmam já ter deixado de aproveitar oportunidades de trabalho ou estudo por medo da violência. 44% dizem ter pensado em mudar de bairro ou cidade para se sentirem seguras.

Quase todas as entrevistadas (98%) adotam pelo menos uma estratégia para reduzir o risco de violência. Evitar determinados locais é a medida mais citada, por 90% das mulheres. Também aparecem práticas como não compartilhar localização ou informações pessoais nas redes sociais, evitar o uso do celular na rua, avisar alguém e evitar sair à noite.

O tema também aparece associado às eleições: 78% das mulheres afirmam que propostas de combate à violência e ao assédio devem pesar na decisão de voto. A pesquisa ouviu 1.500 pessoas com 16 anos ou mais, em todo Brasil, entre 22 e 30 de abril de 2026. As entrevistas foram realizadas digitalmente, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais.