Sindicalistas recusam reajuste acima da inflação e forçam greve às vésperas da eleição

Pelegada também rejeitou propostas de aumento do ticket-alimentação, da cesta básica teriam, do auxílio-saúde e do plano odontológico

Às portas do primeiro turno das eleições de 4 de outubro, lideranças do Sindicato dos Rodoviários — entidade filiada à CUT e alinhada ao PT, partido de oposição ao governo do Distrito Federal — confirmaram greve a partir desta segunda-feira (28), depois de rejeitar proposta das concessionárias com ganho real em salários e benefícios. O movimento ocorre uma semana antes da votação e ignora os prejuízos que causará a cerca de 1 milhão de passageiros por dia, impedindo-os de exercer o direito de ir e vir sobre serviço essencial usado por cerca de 1 milhão de passageiros por dia. O GDF classificou a paralisação como político-eleitoreira.
As empresas (Bsbus, Viação Piracicabana, Viação Pioneira, Auto Viação Marechal e Consórcio Urbi-HP) apresentaram no sábado (26) reajuste salarial de 6%, acima da inflação de 4,11% no período, o que daria ganho real de 1,82%. Ticket refeição-alimentação e cesta básica teriam 7%; auxílio-saúde e plano odontológico, 11,88%. O seguro de vida em grupo seria duplicado e os postos de cobrador permaneceriam garantidos na vigência do acordo. Os retroativos a 1º de agosto seriam pagos em parcela única na folha de outubro. A pelegada sindical exigia 8% nos salários, 10% na alimentação e 12% no plano de saúde. A assembleia de domingo, conduida por sindicalistas militantes partidários, rejeitou a oferta e manteve a greve, sem previsão de encerramento.

O recuo salarial da categoria, segundo as concessionárias, não sustenta o quadro de “perda” usado para justificar a paralisação. Desde o início do contrato de concessão, o salário do motorista subiu 151%, de R$ 1.607,05 para R$ 4.034,60. No mesmo intervalo, o INPC acumulou 97% e o IPCA, 98%. Foram 11 reajustes; em 10 deles, o aumento ficou acima da inflação. Nos últimos três anos, os índices foram 6,5% (2023), 6,5% (2024) e 7,56% (2025), todos acima do INPC. Com os 6% agora oferecidos, o salário iria a R$ 4.276,68 e a diferença acumulada em relação à inflação ultrapassaria 60 pontos percentuais.Houve mais de dez rodadas de negociação desde julho. As empresas afirmam ter apresentado propostas por escrito, ampliado a oferta e não recebido contraproposta formal do sindicato. Continuam abertas ao diálogo e lembram que o transporte coletivo é serviço essencial: a Lei nº 7.783/1989 exige atendimento às necessidades inadiáveis da população mesmo em greve.A Justiça do Trabalho manteve o direito de greve, mas determinou 80% da frota nos horários de pico, pelo menos 50% nos demais horários e operação integral nos dias de votação (4 de outubro e, se houver segundo turno, 25 de outubro), com multa de até R$ 200 mil por hora em caso de descumprimento.

O governo do DF reconhece o direito dos trabalhadores de negociar, mas afirma que um sindicato filiado à CUT, cujo presidente apoia abertamente adversário eleitoral, tenta transformar a data-base em fato político contra a gestão à qual o PT se opõe. A recusa a um pacote com ganho real, depois de anos de reajustes acima da inflação e a uma semana da eleição, é o que o Palácio do Buriti aponta como o núcleo eleitoral da greve: interromper o transporte da população para desgastar o governo, não para fechar um acordo que já estava na mesa.

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