Crise no agro: alongar a dívida ou buscar recuperação judicial?
Especialista explica as diferenças entre as medidas e destaca a importância de avaliar o fluxo de caixa e o nível de endividamento antes da estratégia
O aumento dos custos de produção e as oscilações nos preços das commodities têm ampliado a pressão financeira sobre produtores rurais. Diante do risco de inadimplência, há duas alternativas: o alongamento das dívidas e a recuperação judicial.
O alongamento pode ser utilizado quando o produtor ainda tem capacidade de pagamento, mas precisa de um prazo para cumprir as obrigações. A medida permite adequar o cronograma dos débitos ao fluxo de caixa da atividade e pode evitar que uma dificuldade se transforme em uma crise mais ampla.
Segundo Cristiano Ferreira, advogado especialista em Direito Empresarial e fundador da 10X Advogados, a escolha depende da situação financeira e da natureza das dívidas.
“Antes de buscar uma medida mais complexa, é importante avaliar se o problema está relacionado ao fluxo de caixa e pode ser solucionado com a reorganização dos prazos ou se já existe um quadro de endividamento que compromete a continuidade da atividade.”
Em situações de crise econômico-financeira mais profunda, a recuperação judicial pode ser considerada quando o produtor não consegue reorganizar as obrigações apenas por meio de negociações individuais com os credores. O instrumento permite concentrar a reestruturação das dívidas, desde que atendidos os requisitos previstos na legislação.
“A recuperação judicial não deve ser vista como uma solução automática para qualquer situação de endividamento. É necessário analisar o conjunto das obrigações, os credores envolvidos e a possibilidade de recuperação da atividade”, afirma Ferreira.
A avaliação antecipada também pode evitar decisões tomadas apenas após o início da inadimplência. Entre as medidas que podem anteceder a definição da estratégia estão a análise dos contratos e a identificação dos débitos passíveis de renegociação.
Para o especialista, cada cenário exige uma análise específica.
“O produtor precisa olhar para a estrutura do seu endividamento e para a capacidade de recuperação do negócio. Em alguns casos, o alongamento pode ser suficiente; em outros, a recuperação judicial pode ser necessária para permitir uma reorganização mais ampla.”
A definição entre renegociar prazos ou recorrer à recuperação judicial depende, portanto, das condições do produtor, da estrutura das dívidas e da capacidade de continuidade.