Segue com coragem

Damares não recua, desafia Moraes e diz: ‘Posso ir para a cadeia’

Senadora reage à decisão de Fachin que tirou Mendonça do Inquérito das Fake News e diz que 'não existe medo onde há propósito'

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Foto: Reprodução/Redes Sociais

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) divulgou, nesta sexta-feira (4), pronunciamento em suas redes sociais no qual afirma não recuar da ofensiva contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), diz conviver com o risco de ser presa e pede orações pela integridade do ministro André Mendonça, alvo de acusações formuladas pelo colega de Corte.

O vídeo foi divulgado horas depois de o presidente do STF, Edson Fachin, determinar a retirada, do Inquérito das Fake News, do pedido apresentado por Moraes na noite de quinta-feira (3) para abertura de investigação contra Mendonça. Damares lidera, no Congresso, a articulação de um novo pedido de impeachment contra Moraes, protocolado com apoio de parlamentares da oposição.

“Nenhum passo atrás”

No vídeo, Damares afirma ter passado as últimas horas recebendo telefonemas de familiares, eleitores e lideranças religiosas apreensivas com sua segurança pessoal após ela ter encabeçado a representação contra Moraes.

“Minha família ligou, meus amigos, pastores do Brasil inteiro preocupados com a minha vida, preocupados que eu estou me expondo muito. Sim, gente, eu estou me expondo. Corro o risco todos os dias. Risco de ser presa? Esse risco de ser presa é desde o final de 2022”, declarou a parlamentar.

Damares relembrou episódios anteriores de sua trajetória, dizendo conviver com ameaças desde os dezenove anos, quando iniciou trabalhos sociais com crianças em situação de rua em Aracaju. Em seguida, dirigiu-se à base eleitoral do Distrito Federal:

“Vocês me elegeram para agir com coragem. Eu não vou me omitir. Não vou recuar, não vou dar nenhum passo para trás. Posso ir para a cadeia? Claro. Um ministro que prendeu um general Heleno, doente, dentro de casa; um ministro que prendeu o general Braga Netto; que prendeu idosos e idosas doentes no Brasil… pode sim prender qualquer pessoa.”

A decisão de Fachin

O pronunciamento de Damares tem como pano de fundo o despacho assinado nesta sexta-feira pelo presidente do STF. Na noite de quinta-feira, Moraes havia encaminhado a Fachin um relatório apontando “indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade” de Mendonça na condução da Operação Sem Desconto, que apura fraude no INSS, e da Operação Compliance Zero, aberta a partir do caso Banco Master. Segundo Moraes, Mendonça teria quebrado a imparcialidade judicial e favorecido determinados grupos políticos.

A acusação foi apresentada depois de Mendonça retirar, na terça-feira (1), o sigilo de um relatório da Polícia Federal com mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que citam Moraes, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Fachin retirou o pedido de Moraes contra Mendonça do INQ 4.781 e mandou para a Petição 16.704, sob sua própria relatoria. Deu cinco dias úteis para a PGR se manifestar, prazo que depois passa a Mendonça. A decisão, frisou Fachin, não arquiva nem rejeita as acusações — apenas organiza a instrução do caso.

Ao comentar o despacho, Damares classificou como um avanço o fato de a apuração não tramitar mais sob relatoria direta de Moraes:

 “Pelo menos não está naquele inquérito do fim do mundo das fake news. Já é um progresso”, disse.

Nova ofensiva pelo impeachment

Paralelamente ao racha entre os ministros, Damares segue à frente da articulação de um novo pedido de impeachment contra Moraes no Congresso. Levantamento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, apontava, até terça-feira (um), 109 pedidos de impeachment protocolados contra os dez ministros do STF desde o início da crise — 55 deles direcionados a Moraes.