Damares não recua, desafia Moraes e diz: ‘Posso ir para a cadeia’
Senadora reage à decisão de Fachin que tirou Mendonça do Inquérito das Fake News e diz que 'não existe medo onde há propósito'

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) divulgou, nesta sexta-feira (4), pronunciamento em suas redes sociais no qual afirma não recuar da ofensiva contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), diz conviver com o risco de ser presa e pede orações pela integridade do ministro André Mendonça, alvo de acusações formuladas pelo colega de Corte.
O vídeo foi divulgado horas depois de o presidente do STF, Edson Fachin, determinar a retirada, do Inquérito das Fake News, do pedido apresentado por Moraes na noite de quinta-feira (3) para abertura de investigação contra Mendonça. Damares lidera, no Congresso, a articulação de um novo pedido de impeachment contra Moraes, protocolado com apoio de parlamentares da oposição.
EU NÃO VOU RECUAR!
Minha família, meus eleitores e amigos de todo o Brasil: gratidão por tantas mensagens de apoio e carinho. O recado é claro: não existe medo onde há propósito. Fui eleita para ter coragem e é exatamente isso que vocês verão de mim até o fim.
A tempestade pode… pic.twitter.com/txpdMrwjme— Damares Alves (@DamaresAlves) September 4, 2026
“Nenhum passo atrás”
No vídeo, Damares afirma ter passado as últimas horas recebendo telefonemas de familiares, eleitores e lideranças religiosas apreensivas com sua segurança pessoal após ela ter encabeçado a representação contra Moraes.
“Minha família ligou, meus amigos, pastores do Brasil inteiro preocupados com a minha vida, preocupados que eu estou me expondo muito. Sim, gente, eu estou me expondo. Corro o risco todos os dias. Risco de ser presa? Esse risco de ser presa é desde o final de 2022”, declarou a parlamentar.
Damares relembrou episódios anteriores de sua trajetória, dizendo conviver com ameaças desde os dezenove anos, quando iniciou trabalhos sociais com crianças em situação de rua em Aracaju. Em seguida, dirigiu-se à base eleitoral do Distrito Federal:
“Vocês me elegeram para agir com coragem. Eu não vou me omitir. Não vou recuar, não vou dar nenhum passo para trás. Posso ir para a cadeia? Claro. Um ministro que prendeu um general Heleno, doente, dentro de casa; um ministro que prendeu o general Braga Netto; que prendeu idosos e idosas doentes no Brasil… pode sim prender qualquer pessoa.”
A decisão de Fachin
O pronunciamento de Damares tem como pano de fundo o despacho assinado nesta sexta-feira pelo presidente do STF. Na noite de quinta-feira, Moraes havia encaminhado a Fachin um relatório apontando “indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade” de Mendonça na condução da Operação Sem Desconto, que apura fraude no INSS, e da Operação Compliance Zero, aberta a partir do caso Banco Master. Segundo Moraes, Mendonça teria quebrado a imparcialidade judicial e favorecido determinados grupos políticos.
A acusação foi apresentada depois de Mendonça retirar, na terça-feira (1), o sigilo de um relatório da Polícia Federal com mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que citam Moraes, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Fachin retirou o pedido de Moraes contra Mendonça do INQ 4.781 e mandou para a Petição 16.704, sob sua própria relatoria. Deu cinco dias úteis para a PGR se manifestar, prazo que depois passa a Mendonça. A decisão, frisou Fachin, não arquiva nem rejeita as acusações — apenas organiza a instrução do caso.
Ao comentar o despacho, Damares classificou como um avanço o fato de a apuração não tramitar mais sob relatoria direta de Moraes:
“Pelo menos não está naquele inquérito do fim do mundo das fake news. Já é um progresso”, disse.
Nova ofensiva pelo impeachment
Paralelamente ao racha entre os ministros, Damares segue à frente da articulação de um novo pedido de impeachment contra Moraes no Congresso. Levantamento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, apontava, até terça-feira (um), 109 pedidos de impeachment protocolados contra os dez ministros do STF desde o início da crise — 55 deles direcionados a Moraes.